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“Idealistas”, graças a Deus

28 de novembro de 2008

 Nunca na história política de João Monlevade, após uma eleição para escolha do prefeito e vereadores, vi tantos “idealistas”. Não só “idealistas”, mas também pessoas “gratas”, “sinceras” etc. Eu estou simplesmente espantado com relação ao resultado das eleições de 5 de outubro passado. Juro que houve algum erro na contagem dos votos, porque Gustavo Prandini de Assis não obteve apenas 16.006 votos. No mínimo, uns 30 mil votos. Afinal, o que há de moreiristas que votaram no advogado que eu estou simplesmente boquiaberto. Perplexo na concepção da palavra.

 

Vamos lá: o mais “idealista” deles, todos sabem de quem se trata. Considerado o mais leal dos leais do grupo do prefeito Carlos Moreira (mais até que Gugu e Geva), agora parece ter se debandado de vez para o lado “prandinista”, vamos assim chamar os “baba-ovos” do grupo que assumirá o poder em 1º de janeiro de 2009. Coisa mais feia ter de bajular para se manter no cargo. Hoje, nesse mundo tão doido, onde a globalização é um processo sem volta, só se estabelece em qualquer trabalho quem tem competência. O oposto vai ter de encontrar uma outra forma de sobrevivência financeira, porque os tempos são outros. Nem os aliados incompetentes conseguem assim tão facilmente uma boca no serviço público, vai lá um desafeto. Mesmo distribuindo CD´s e DVD´s de padres, bispos e do Papa, nada disso sensibilizará o poder. Como diz a letra da música “Bola Dividida”, o que ela (e) fez com ele (a) vai fazer comigo, e vai fazer comigo exatamente igual…

 

Vou dar um outro exemplo: o Luiz Pena, escolhido como secretário municipal de Serviços Urbanos, agora é, depois do prefeito eleito, o homem mais bajulado em Monlevade. Está difícil até andar pelas avenidas e ruas de Carneirinhos. Está se sentindo artista global da novela das oito, conforme confessou a um amigo. Além dos puxa-sacos à procura do primeiro emprego público – com tapinhas nas costas, abraços apertados e o famoso 171 insuportável -, existem também os funcionários já lotados na Prefeitura procurando um cargo um pouco melhor. Luiz Pena, depois de Gustavo Prandini, virou a pedra da vez. Vai ter de sair com segurança ou escolta policial. Senão matam o moço de tanta babação. E como deve incomodar esta baba! Podre, mentirosa. E sabem quem deve mais estar rindo dessa situação? Aposto que é não o Gustavo Prandini, mas sim o Carlos Moreira, que não tinha idéia de como conseguiu dar emprego a tantos sanguessugas.  Agora o prefeito Moreira reconheceu que a célebre frase do saudoso Tancredo Neves tinha muito de sabedoria; “nunca leve os seus assessores para a mesa de bar e jamais leve os seus amigos de bar para sua assessoria”. Pena que ele aprendeu isso um pouco tarde.

 

Pois é, mas hoje Monlevade deve estar entrando no Guines, o livro dos recordes. Afinal, desconheço uma cidade com tantos bajuladores, ciganos, piratas ou traíras, como desejem chamá-los. Nunca, durante o processo transitório de um governo para outro, em minha cidade-natal, lembro de ter sido testemunha de um fato desses. De ver que o ser humano se esquece do valor e significado da palavra DIGNIDADE. De vergonha na cara. O homem vale pelo seu caráter, interior, e não pelo que ele possui materialmente. Isso tudo a terra há de devorar. E depois que nos despedimos dessa para outra, o que deixamos é apenas a nossa história de vida e as nossas amizades – sinceras.

Em sua quarta edição, projeto Arte no Sítio traz ora-pro-nobis, esculturas, poesia visual e samba

27 de novembro de 2008

 

Acontece no sábado, 29, a partir das 13 horas, a quarta edição do projeto Arte no Sítio, que, periodicamente, reúne gastronomia e arte no sítio do médico Luiz Fernando Amaral, no bairro Laranjeiras, em João Monlevade.

Desta vez, o evento se chama “Lobrobrô SambaBom” e tem como programação artística exposição de esculturas de parede da artista plástica e arte-educadora Deisiele Moreira, poemas visuais de Geraldo Magela Ferreira e samba de raiz com integrantes do grupo Afilhados do Sereno. Haverá, ainda,  sorteio de três CDs de MPB, cedidos pela loja MR Som.

Já o cardápio traz costela de porco desossada e assada, com acompanhamento de arroz, feijão, lobrobrô (ora-pro-nobis) e creme de maracujá com mel.

Interessados em participar devem pagar R$ 35,00 e os organizadores estão propondo que, além dessa contribuição, quem quiser faça doação de 1 quilo de alimento não perecível, que será destinado a uma creche.

O projeto Arte no Sítio teve início em janeiro e é realizado pelos jornalistas Wir Caetano e Marcelo Melo, em parceria com o casal Luiz Fernando Amaral e Lutécia Espechit.

 

AGENDA:

Lobrobrô SambaBom – 4ª edição do projeto Arte no Sítio

Quando: 23 de novembro, sábado, a partir de 13 horas

Onde: Sítio de Luiz Fernando Amaral, no bairro Laranjeiras, em João Monlevade

 

Informações:

Marcelo Melo – (31) 3851-6622 / 9943-0379

Wir Caetano – 8891-8301

Nepotismo: sim ou não, eis a questão!

26 de novembro de 2008

 Com relação à bola da vez, falei um pouco sobre o assunto na coluna publicada nessa segunda-feira e mais uma vez vou entrar na questão: o prefeito eleito Gustavo Prandini cometeu ou não o ato de nepotismo ao indicar sua irmã, a psicóloga Poliana Prandini, como secretária de Administração? E prometo que será meu derradeiro comentário sobre esse episódio porque senão pode parecer que estou com a intenção apenas de “pegar no pé” do Prandini, e não é esse o caso.

 

Bom, legalmente, eu acredito que a lei aprovada pelo Supremo tribunal federal em 20 de agosto deste ano deixou uma brecha para a indicação de ministros, secretários de estados e municipais a parentes de 1º e 2º graus. No entanto, eu continuo acreditando que seja imoral. Aliás, muito imoral. Vamos a um exemplo: no caso da legalidade, o presidente da República, um governador ou um prefeito – cada um com pai, mãe e três irmãos – teriam o direito de indicar todos eles para seus ministérios ou secretarias, correto? Ou seja, Gustavo Prandini, que tem mãe e mais três irmãos (além de Poliana), de acordo com a lei, teria o direito de também indicá-los para outras secretarias ou assessorias. Assim, seriam ao total cinco cargos para parentes de 1º grau. Seria legal? Claro que sim, pois vem atender à tal prerrogativa aprovada pelo STF. Mas seria imoral? Obviamente que sim, porque aqui não estamos discutindo a questão sobre o número de parentes indicados para esse ou aquele cargo público, e que seja de 1º ou 3º escalões, mas sim a atitude, o gesto, a indicação do parente.

De acordo com o site www. brasilescola.com/geografia/nepotismo.htm, Nepotismo (do latim nepos, neto ou descendente) “é uma forma de corrupção na qual um alto funcionário público utiliza de sua posição para entregar cargos públicos a pessoas ligadas a ele por laços familiares, de forma que outras, as quais possuem uma qualificação melhor, fiquem lesadas. Atualmente, o nepotismo é amplamente condenado na esfera política mundial, sendo associado à corrupção e considerado um empecilho à democracia. É importante ressaltar, no entanto, que nepotismo não é crime. Porém, quando fica comprovada a intenção da prática, o agente público fica sujeito à ação civil pública por ato de improbidade administrativa, o que inclui desde o ressarcimento integral do dano ao erário público até a perda da função e dos direitos políticos de três a cinco anos”.

Um fato curioso é de onde surgiu a palavra nepotismo. Tudo começou dentro da Igreja Católica no período do Renascimento, e veio para expressar as relações de concessão de privilégios entre o Papa e seus familiares. Como não tinham filhos, protegiam seus sobrinhos, nomeando-os a cargos importantes dentro da Igreja. E sabem quem foi o maior nepotista da história? Napoleão Bonaparte, uma vez que o imperador francês nomeou três de seus irmãos como reis nos países por ele conquistados.

Mas, vamos ficando por aqui, pois não quero entrar mais na questão. Só reafirmo o meu posicionamento como jornalista, porque se calar diante de uma situação dessas é no mínimo omissão de um profissional. Mas, nada contra a Poliana, muito pelo contrário, e foi minha colega de Pós e posso afirmar de tratar de uma pessoa muito capacitada. Ah, e perguntaram sobre outros nomes dos secretários, se aprovei ou não. Não compete a mim entrar nesse mérito, mesmo porque esse negócio de escolher pessoas para ocupar cargos de confiança é um processo muito particular. Não concordei com outros três nomes, mas é problema meu e não do prefeito eleito, Gustavo Prandini.

Jornalista “puxa-saco: tô fora

26 de novembro de 2008

 

Como em toda profissão, há o bom e o mau profissional. Há o picareta e o coerente. Há o que consegue crescer financeiramente através de negócios espúrios e existem também os que se enriquecem graças ao talento e à sua capacidade profissional. Existem os que são grandes profissionais, mas não sabem lidar com o dinheiro. Ah, e existem também aqueles que trabalham a vida toda e permanecem no anonimato, talvez por falta de ousadia, mesmo com todas as oportunidades que teve em sua carreira.

 

Mas, e cá entre nós, jornalistas? Em nível de João Monlevade diria que a nossa união depende de ataques adversos, como ocorreu no caso do vereador Roberto Romualdo, popular Robertinho do DVO. Eu mesmo me surpreendi com tamanha receptividade quando resolvemos nos mobilizar para dar a resposta ao “nobre” edil. Ali nos tornamos fortes, mesmo diante das diferenças ideológicas, partidárias e sentimentais. Como há o “não-me-toque” na mídia monlevadense! E também aqueles que se julgam deuses, senhores donos de todas as verdades e transformadores do mundo. Mas, nenhum me incomoda mais do que o puxa-saco, e nem necessitam aspas. O “baba-ovo”, “pela-saco”, o “traíra”, covarde por convenção e que nunca assume o seu lado. E não falo aqui do lado político-partidário, mas sim de opinião, da não omissão e da assinatura pela palavra. Não somos imparciais, porque isso é conversa pra boi dormir, mas temos a obrigação de sermos éticos. Não ficar pulando de galho em galho atrás do poder, sem ideologia e sem princípios. Um profissional desses morre antes de se fazer.

 

Pois é, mas hoje eu vi o quanto foi bom o poder mudar de mãos em nossa Monlevade. Sabem por quê? Por causa dos puxa-sacos, dos que se humilham e encaixotam os seus ideais para se manter ao lado de poder, mesmo que as pessoas que integram este poder sejam eternos inimigos. Santa contradição! Santa incoerência! Santa falta de vergonha na cara! Santo profissional de merda, que se esconde atrás da caneta por se achar imbatível. E este camarada, companheiro, o ca… a quatro não passa apenas de um profissional vendido e tão genérico como aquele vereador que fez com que a nossa categoria se unisse novamente. Puxa-sacos? To fora!

Se foi pra desfazer…

25 de novembro de 2008

 

Às vezes quero crer, mas não consigo, é tudo uma total insensatez. Aí pergunto a Deus: escute amigo, se foi pra desfazer, por que é que fez? Com esses versos escritos pelo poeta maior, Vinícius de Moraes, da música “Cotidiano nº 2”, composta por ele e Toquinho, começo a caminhada de hoje, talvez pelo sentimento da perda. Durante os últimos sete dias foram três pessoas que nos deixaram e que, mesmo não sendo tão próximos, e nem muito íntimos, já deixam saudade. A morte, mesmo certa, nunca nos deixa acostumados com ela e as pessoas passam tão rapidamente em nossas vidas que nos achamos no direito de termos controle sobre elas. E assim pensamos como Vinícius de Moraes: se foi pra desfazer, por que é que fez. Talvez nem nos importamos muito com a ausência da pessoa, mas só de sabermos que ela está entre nós, já nos alivia e nos deixa felizes.

 

Quero aqui escrever em homenagem a três grandes pessoas que partiram e que, de uma forma ou de outra, foram importantes para mim. Tiveram uma passagem interessante em meu caminho. São elas a Elma (esposa do Djalma Bastos), do Luiz Guerra (irmão do Geraldo Guerra e do Clever), e do Zé Branco Neves (irmão do Afonso). Cada um com a sua história e a sua filosofia de vida. Uma grande mulher, educadora, esposa e mãe dedicada. O Luiz, atleticano dos bons e sempre que nos encontrávamos na agência do Banco do Brasil – onde trabalhava como segurança -, aquele semblante alegre e um comentário sobre o nosso Glorioso. E o Zé Branco, um dos grandes batalhadores dentro do Sindicato dos Metalúrgicos e com quem tinha um ótimo relacionamento. Mudou-se nesse domingo de Guarapari, por onde morou por 15 anos após se aposentar, e nem deu tempo de passar uma noite apenas em sua nova casa, ali no bairro Mangabeiras. Parece que a morte estava apenas lhe aguardando retornar à sua terra-natal.

 

Pois bem, mas as pessoas vão passando e escrevendo as suas histórias. E nem imaginamos que em cada uma delas há um conhecimento a ser repartido. E também nem conseguimos alcançar a distância entre o tempo da partida e da chegada. São tão distintos e sempre há um trem que chega e outro que parte. E despedidas nem deveriam fazer parte da história, mas sem elas talvez não houvesse tanto romantismo e boas amizades. Aliás, mais vale uma grande amizade que dez amores. Afinal, a amizade não cobra e nem é castradora e ciumenta. A amizade consegue a magia do crescimento mútuo, sem fantasmas, enquanto muitas vezes o amor se encarrega de destruir uma amizade que já existia. E por isso é tão ruim perder um colega que seja, mas que fez parte de sua vida.

 

Dessa forma, despeço-me de Elma, Luiz e Zé Branco, pessoas que tiveram um grau de importância em minha vida, mesmo que de forma discreta. Mas principalmente porque souberam escrever as suas histórias, através de luta, porrada, lucidez, mágoa, paixão, raiva, fé, medo, saudade. Cada um ao seu modo. Elma, com sua paz e tranqüilidade. Luiz, com seu jeito apressado e brincalhão. E o Zé das Neves, com um lado burrão e outro de um coração tamanho do bonde, como diz o mineirinho, uai! E o mais importante dessa nossa vida é que podemos conviver tão bem com várias pessoas, independentemente das ideologias partidárias, sociais e religiosas. As pessoas, graças a Deus, nasceram para ser diferentes. Pra encerrar, vou de “Cotidiano nº 2”, de Vinícius: Há dias que eu não sei o que me passa, eu abro o meu Neruda e apago o sol, misturo poesia com cachaça  e acabo discutindo futebol.

 

 

Como toda unanimidade é burra…

24 de novembro de 2008

 

Como toda unanimidade é burra…

 

… Prefiro não concordar em gênero, número e grau com os nomes escolhidos pelo prefeito eleito, Gustavo Prandini, para compor o seu secretariado. Mas também quem deve concordar ou não é o próprio futuro chefe do Executivo, e não eu, ou você, leitor. Mas, trocando em miúdos, ele foi quase perfeito em sua escolha. Surpreendeu positivamente ao escolher pessoas novas (sem nenhum preconceito contra os mais experientes, valha-me Deus), compromissadas e dispostas a trabalhar pelo município e deixou de fora nomes temidos pela prepotência e não aceitos dentro da própria militância do PT, e que certamente fariam retornar com um governo rancoroso como ocorreu na administração de Laércio Ribeiro. Gustavo foi bastante feliz em não trazer para ajudá-lo a comandar João Monlevade pseudos-monlevadenses que só aparecem na cidade às vésperas das eleições e que têm somente compromisso com o PT e não com a cidade. Outro fator positivo é que ele conseguiu reunir, em seu secretariado, um grupo eclético e de posicionamentos político-partidários distintos, apesar é claro de o Partido dos Trabalhadores ser a maior constelação dentro do governo a assumir em janeiro. E não seria diferente, mas ao menos sem os forasteiros. No geral, considero a sua equipe de 1º escalão preparada para comandar Monlevade nos próximos quatro anos.

 

Apenas abrindo um parêntese quero apontar um deslize do Gustavo Prandini de Assis nessa escolha e que, segundo até mesmo pessoas ligadas a ele, um desgaste desnecessário. Mesmo sem estar descumprindo a lei, em minha opinião ele conseguiu ser politicamente incorreto ao nomear para a Secretaria de Administração, a irmã Polyana Prandini. Poderia ter evitado tal indicação? Com toda certeza.

 

De acordo com a lei que proíbe a prática do nepotismo, aprovada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em 20 de agosto deste ano, “é proibida a contratação de maridos, esposas, pais, avós, bisavós, filhos, netos, bisnetos, irmãos, sobrinhos, tios, sogros, sogras, cunhados, genros e noras no Judiciário, Executivo e Legislativo da União, Estados, Distrito Federal e municípios”. Apenas primos podem ser contratados, por serem considerados parentes em 3º grau. Mas a lei também deixa uma brecha – utilizada por Prandini – onde diz que “de acordo com o texto, devem ficar fora do considerado nepotismo os seguintes cargos: ministro de Estado, secretários estaduais e municipais, além do Distrito Federal”. Ou seja, o presidente, governadores e prefeitos poderiam nomear parentes para um ministério ou secretaria, sem que a medida fosse considerada nepotismo. A filosofia da decisão é a de que o governante tem direito de compor livremente os cargos de governo. Portanto, a indicação da irmã do prefeito eleito para um cargo de 1º escalão é legal, mas também concordo que é imoral e engorda. Afinal, não faz parte da política de um governante inteligente e com propostas renovadoras para João Monlevade. E tantas outras pessoas de confiança de Gustavo e altamente capacitados – tal qual sua irmã – também estariam aptos ao cargo.

 

Casa de Cultura

 

Como escrevi neste espaço na edição do Diário do Vale de terça-feira passada, 18, gostaria que o jornalista Wir Caetano assumisse a direção executiva da Fundação Casa de Cultura. Mas, conforme palavras do próprio Wir, o nome indicado para o cargo, Luciano Magela Roza (e que bom se trata de outro Luciano) é altamente capacitado e uma cabeça privilegiada em termos culturais. Portanto, fico feliz  com o aval do Caetano e tomara que a nossa área cultural volte a resgatar outros valores e consiga ser implantada aqui uma filosofia diferente dessa usada a tantos anos. Boa sorte ao rapaz!

Pedestre em Monlevade não tem vez

22 de novembro de 2008

Em Monlevade cada vez mais o pedestre fica sem espaço para transitar pelas calçadas. Aqui a falta de respeito para com o pedestre é um absurdo e o tal do Código de Ética e Posturas só deve mesmo existir no papel. Não é concebível como as calçadas ao longo das duas principais avenidas da cidade são precárias para que passem, por exemplo, duas pessoas paralelamente. Isso sem contar os desníveis nos passeios que, estando molhados, são um risco constante principalmente aos idosos. Ah, mais há outro agravante: agora alguns lojistas deram para furar os passeios e colocar placas, como ocorreu com a Planejar, que abriu uma loja na Wilson Alvarenga, onde era o Depósito Carneirinhos. Exatamente na esquina com a Rua Hildebrando Santana – que dá acesso ao Rosário – foi instalada uma placa no meio da calçada e isso atrapalha os pedestres de se locomoverem. E o setor responsável da Prefeitura autorizou? Imaginem se todos os lojistas resolverem tomar a mesma posição. Como fica quem anda a pé pelas ruas e avenidas de Carneirinhos? Tem de haver alguma coisa errada aí, porque não pode ocorrer isso em nossa cidade, que parece mesmo ser uma terra de ninguém.

 

Mas outros locais com outros problemas e sempre havendo a omissão por parte das autoridades competentes, ou mesmo a conivência entre o poder e o errado. No cruzamento da Wilson Alvarenga com a Geraldo Antônio, por exemplo. Ali há uma banca de revistas e à sua frente algum sujeito muito “inteligente e criativo” instalou um aparelho “Orelhão”. O pedestre que chega àquela esquina tem de baixar a cabeça para passar entre a banca e a cabine de telefone público e se cruzar com outro pedestre, um tem de ir para a via pública. Entenderam? Aqui só tem vez o motorista e olhe lá, porque o pedestre, esse tem mais é que se ferrar, segundo as nossas autoridades municipais.

 

Portanto, tomara que alguma pessoa mais consciente e mais preocupada com o pedestre, com o cidadão que anda ali por Carneirinhos no seu dia-a-dia, possa ter um pouco de tranqüilidade e não correr riscos desnecessários. Faltam coragem e vontade política. Querem um exemplo? Há anos fala-se em transformar um trecho da Getúlio Vargas – entre a loja do Ulete Mota e a praça Sete – em um calçadão, com passagem apenas para um veículo e com isso as pessoas poderem caminhar com mais segurança. Como é o quarteirão fechado da praça Sete, em Belo Horizonte. Aí vem a desculpa de que atrapalha o comércio. Atrapalha por quê? Afinal, haverá mais comodidade para as pessoas realizarem suas compras. Vamos humanizar o nosso trânsito e tem começar realizando projetos que dêem segurança ao pedestre.

 

Dia da Consciência Negra, os preconceitos e conceitos

21 de novembro de 2008

Comemorou-se ontem, 20 de novembro, no Brasil, o dia da Consciência Negra, dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. Homenagem a Zumbi dos Palmares e aos homens negros que fizeram a história através de lutas pela justiça social e pelo fim do preconceito racial. Homens como Luther King, Nelson Mandela, Albert Luthuli, José do Patrocínio e tantos outros que mostraram que a cor não importa entre a humanidade. Ou não deveria interferir. E que cada vez mais há de prevalecer a igualdade entre os homens, independente da classe social e da origem racial. Ainda mais no país chamado Brasil, onde a miscigenação é a marca do nosso povo. E também o dia 20 de novembro deve valer como ponto de reflexão para as injustiças cometidas contra o negro ao longo de nossa história. Mas, onde começa o preconceito?

 

Indiferente do fato se vou agradar ou desagradar A ou B, quero aqui externar minha admiração pelos negros norte-americanos. Hoje o mundo passa por uma transformação histórica, já que os Estados Unidos da América – considerado o berço do preconceito racial – elegeram para presidente do país um homem negro. Isso apenas 44 anos depois que o negro teve direito a voto no Tio Sam. E o mais interessante que este homem negro, culto, inteligente e hoje considerado o político mais poderoso do mundo é casado com uma negra e consequentemente o casal tem duas filhas negras. E o povo negro norte-americano tem essa grande virtude, que é se casar com pessoas da mesma raça, sem nenhum preconceito, independente de ser ou não famoso. Mirem-se nos exemplos dos maiores astros do basquete e do beisebol norte-americanos. Todos os negros são casados com mulheres negras, ou a grande maioria.

 

Eu, particularmente, não tenho nada contra um homem branco se casar com uma mulher negra ou vice-versa, mas há de se elaborar um paralelo entre o brasileiro e o norte-americano. Qual jogador de futebol, artista de televisão ou cantor negro, em nosso país, que se casou com uma negra? Alguns, ou seja, uma minoria que, estatisticamente falando, deve representar algo em torno de 4% da população famosa entre os negros brasileiros. E por que preferem as brancas? Preconceito, eu acho. Aliás, no Brasil, é muito mais fácil encontrar negro famoso casado com branca do que o inverso, ou seja, negra famosa casando-se com branco. E que não venham aqui os céticos e fanáticos que se auto-afirmam como defensores dos direitos dos negros dizer que eu estou falando balela, porque não estou. É a pura realidade e o avesso do avesso, como diria uma canção de um músico brasileiro mestiço.

 

Não há lei que vigore entre negro e negra e branco e branca, mas no Brasil, por exemplo, eu nunca vi o Pelé, ou o cidadão Edson Arantes do Nascimento – maior jogador de futebol do mundo -, levantar alguma bandeira em defesa dos negros e pela luta anti-racial. Afinal, negou a paternidade de uma filha negra até a sua morte e hoje é homenageado pela maior emissora de televisão do Brasil, a Vênus Platinada. Coisas típicas de um país atrasado na luta em favor da igualdade racial.

 

Mas assim vou levando a vida e com a esperança de que, algum dia, veja de fato um negro brasileiro famoso, casado, amigado, comcumbinado ou amasiado com uma negra simples, a verdadeira mulher brasileira. E que também os movimentos negros deste país chamado Brasil sejam mais coerentes, porque grande parte das pessoas que lideram esses movimentos, todos negros, sempre estão em companhia de uma mulher branca. Não estou sendo preconceituoso, apenas clamo por coerência e por conceitos.

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Hello world!

20 de novembro de 2008

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