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João Monlevade e seus 45 anos

29 de abril de 2009

Tudo teve início nos primórdios do século XIX, quando chegava ao Brasil o engenheiro de minas, francês, Jean Antoine Felix Dissandes de Monlevade, que aportava no Rio de Janeiro em 14 de maio de 1817, aos 28 anos de idade. Ele vinha devido à sua paixão pela mineralogia e geologia e, sabedor de que o Brasil, mais especificamente a Província de Minas Gerais, constituía-se em vastíssimo campo de estudos, veio acompanhar uma comissão do governo francês.

Antes de aportar em João Monlevade, ele primeiro percorreu várias comarcas e distritos mineiros, entre eles São João Del Rey, Vila Rica, Sabará e Caeté, até chegar a São Miguel do Piracicaba. Aqui, descobriu a extraordinária riqueza da região e, descortinando-lhe o enorme futuro, adquiriu duas léguas abaixo do então arraial de São Miguel, algumas semarias de terras, onde construiu a forja Catalã, que produzia, inicialmente, trinta arrobas diárias de ferro. E, foi ele também quem providenciou a construção da sede da Fazenda Solar, em 1818, edificação imponente que dominou a paisagem do Vale do Piracicaba e que, virando os tempos, tornou-se o marco histórico e símbolo maior da civilização plantada pelo pioneiro francês.

Outros nomes surgiram desde então, sendo a Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira a grande responsável pela alavancada do município. Mas, antes disso, a primitiva fábrica de ferro passou por fases de crescimento, declínio e até mesmo a decadência, trocando de proprietários algumas vezes, até que transformou-se no embrião da Belgo-Mineira, graças à tenacidade de um outro pioneiro, o luxemburguês e também engenheiro Louis Jacques Ensch, que aqui chegou em 1934 com a missão de desativar a incipiente fábrica, mas acabou por consolidá-la graças à sua visão futurista. E, a partir daí, urbanizou toda a área, dotando-a de uma infra-estrutura básica condizente com as necessidades humanas. Fez assim pulsar um coração humano naquele peito de aço que se erguia à margem do rio Piracicaba.

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O então presidente da Câmara Municipal, Wander Wanderley de Lima, discursando durante a inauguração da Estação de Tratamento de Água, nas Pacas. À esquerda da foto, o então prefeito Germin Loureiro, a primeira dama Zarif e os vereadores Zé de Brito e Lobinho, e à direita o deputado estadual e primeiro prefeito eleito por João Monlevade, Wilson Alvarenga, e Padre Henriques

Distrito e Emancipação

29 de abril de 2009

Em 27 de dezembro de 1948, com a promulgação da Lei Estadual nº 336, criou-se o Distrito de João Monlevade. Nesse período, fatos significativos aconteceram, como a construção da Paróquia de São José Operário e a nomeação de seu primeiro pároco, Cônego José Higino de Freitas, que chegou aqui em 1948; a instalação do Cartório Civil com o Sr. Jonathas de Oliveira, em 1949; a fundação do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos, em 1951; a inauguração do Hospital Margarida, em 1952; a criação do Ginásio Monlevade, em 1955; e a formação da Comissão Pró-Emancipação, em 1958.

Tornar-se município e deixar de ser Distrito de Rio Piracicaba foi uma outra história, que se arrastou por longos seis anos. A Comissão Emancipadora foi formada por Germin Loureiro (presidente), Wander Wanderley de Lima, Randolfo Moreira de Souza, Carlos Caldeira, José Loureiro e Alberto Pereira Lima. Juntamente com outros nomes que formaram o grupo de apoio, movimentaram os corredores da Assembléia Legislativa e conseguiram unir forças políticas para, finalmente, vitoriosos, em 29 de abril de 1964. João Monlevade estava cravado no mapa de Minas Gerais.

Os colaboradores da Comissão foram Benedito Marcelino, Padre João Batista Gomes Neto, Geraldo de Paula Santos, Antônio Loureiro Sobrinho (Totó Loureiro), Gentil Bicalho, Oswaldo Silva, Olímpio Carvalho Lage, José Pedro Machado (Machadinho), Astolfo Linhares, Alonso Leite, Raimundo José Caldeira e Pedro José Caldeira. Até a primeira eleição, foi indicado como interventor Bolivar Cardoso da Silva, que governou João Monlevade até 1965.

O primeiro prefeito eleito pelo município seria Wilson Alvarenga, que governou João Monlevade de 1965 a 1966, sendo eleito deputado estadual. Assumiria seu vice, Josué Henrique Dias, que governou a cidade de 13 de agosto de 1966 a 31 de janeiro de 1967. Germin Loureiro, popular “Bio”, comerciante, foi eleito em 1967, ficando até 1970. Por sua vez, o professor Antônio Gonçalves (Pirraça) sai vitorioso nas urnas em 70 e comanda o município durante dois anos. O médico Lúcio Flávio de Souza Mesquita ganha a Prefeitura em 1972, governando-a até 1976. Eleito em 156 de novembro de 1976, de 77 a 82 o prefeito é novamente Antônio Gonçalves. De 83 a 88, retorna Bio. De 89 a 92, ganha a Prefeitura o metalúrgico e sindicalista Leonardo Diniz. Germin Loureiro volta em 93 e fica até 96. Um outro médico governa Monlevade, Laércio José Ribeiro, eleito em 1996, comandando a cidade de 1997 a 2000. O radialista Carlos Moreira foi o primeiro prefeito reeleito na história política de João Monlevade de João Monlevade, consecutivamente. Saiu vitorioso nas eleições de 2000 e 2004, governando o município por oito anos. Nas comemorações do 45º aniversário de João Monlevade, administra a cidade o advogado Gustavo Prandini de Assis, eleito em outubro do ano passado.

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Formação da 1ª Câmara Municipal de João Monlevade, eleita em 1965. Entre os 13 vereadores eleitos pelo povo, aparecem Sebastião Gomes, Machadinho, José Caldeira, João Amaro, Acrízio Engrácio, Vicente Correia e Jhonatas de Oliveira

Dia da Educação

28 de abril de 2009

Ah, é também Dia da Educação. Parabéns aos mestres, uma classe tão injustiçada.

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Dia da Sogra

28 de abril de 2009

Hoje, 28 de abril, é O Dia Mundial da Sogra. Abraço à todas amadas de seus genros e noras…sogra
Esta sogra é radical…

Praças e buracos

28 de abril de 2009

Enquanto as praças da cidade ganham um novo visual, através do trabalho de Imaculada Lima, uma profissional capacitada, os buracos continuam tomando conta da cidade. Meu amigo Luiz Pena, pelo amor de Deus, mas vamos dar um jeito nas crateras que tomam conta das vias públicas de Monlevade. Está difícil transitar por elas. Aqui onde moro, por exemplo, rua Alberto Scharlé, na região mais próxima à Escola Cônego Higino, o motorista tem de fazer mágica pra transitar com seu veículo. Está na hora.

Mas, como dizia, parabéns ao prefeito Gustavo Prandini por estar mudando a cara da cidade com relação às praças. Vejam a praça do Lindinho, por exemplo, onde um lugar escuro e feio já ganhou nova roupagem, transformando-se em cara limpa, e alegre. Sinceramente, há muitos anos não se via essa transformação tão positiva. E também a praça do Povo, com pintura nova, já está deixando de ser aquele pedaço horroroso no centro da cidade. Parabéns e que essas iniciativas continuem. A praça da Vila Tanque, por exemplo, também pede socorro.

28 de abril de 2009

Foto: Lutécia Espechit

28 de abril de 2009

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Monlevade: quase dois séculos de história

28 de abril de 2009

Este texto está publicado no Caderno Especial publicado na edição de hoje do jornal “A Notícia”, em comemoração aos 45 anos de João Monlevade.

Marcelo Melo.

Não importa se são 45 anos de emancipação político-administrativa, porque o que vale mesmo são os 192 anos de história, desde que aqui chegou o francês que deu origem ao nome de nosso município. Jean que se fez João e Monlevade que permaneceu aportuguesado. Das Forjas Catalã à Belgo-Mineira, entre o francês Jean e o luxemburguês Louis Jaques Ensch, o pai da siderurgia nacional. E tudo teve início ali, no arraial de São Miguel do Piracicaba, entre o rio e as montanhas, e um solo perfeito para se fazer o aço.

Ah, são muitos causos contados pelos mais antigos e estampados nas páginas da Internet. E no século XIX, imaginar o fenômeno que consegue hoje unir todas as pessoas do mundo em uma rede de computadores daria pena de morte. Seria um sacrilégio. Mas, como dizia, as histórias e estórias são muitas, como o ciúme doentio da esposa de Jean Monlevade, Dona Clara Coutinho, que se tornou lendário. Em uma das cenas, durante um jantar na Fazenda Solar, o marido elogiou a dentadura da escrava copeira. Dias depois, recebeu de presente de D. Clara uma bela bandeja de prata, com a coleção de dentes da escrava. Herança maldirá do feudalismo ou amor por demais? Nem a história consegue desvendar tantos mistérios que pairavam nos cômodos daquela fazenda, o nosso Solar Monlevade, símbolo e orgulho desta terra.

Pois bem, mas João Monlevade merece minhas desculpas. Merece meu carinho e merece meu amor. Aliás, sempre fui um apaixonado por ela, desde menino, quando ainda pertencia à vizinha Rio Piracicaba. Onde passava grande parte de minhas férias escolares, entre a ponte que findava no bar de Seu Walter Valamiel, à pensão da minha Tia Gininha, que ficava ali, de frente para a estação. Provando as delícias da culinária de Dia Dinda, aquela preta velha maravilhosa! Campo da prainha, praia do Funil e a praça principal da cidade, onde ficava assentado aguardando as filhas de Seu Jurandir sair de casa: Márcio e Wilma, se não estou enganado. Amor platônico de um garotinho bobo, mas que desde aquela época brincava com as raízes de nossa terra e de nossa gente.

O começo do início

28 de abril de 2009

Nessas boas coincidências da vida, uma delas foi saber que o meu pai é natural de lá, de Piracicaba. Minha mãe, conterrânea de Guimarães Rosa, nasceu em Cordisburgo, no meio agreste, meio sertão mineiro. E se conheceram em Nova Era, onde moravam meus avós maternos. Ele, José Baptista de Oliveira, popular “Zé Cara-Santa”, era maquinista da Central do Brasil. E minha vó, Dona Ritinha, que fazia uma comida sem igual. Um tempero! E os seus bifes então, ninguém consegue fazer com tanta maestria. Davam água na boca naquela pimenta do reino. Faz mal? Fazia-se, não se sabe, pois os dois viveram, cada um, quase 100 anos de existência. Mas aí Seu Sebastião e Dona Geralda se casaram e foram morar lá na Vila, minha amada Vila Tanque. Avenida do Contorno, entre a 10 e a 9. Depois, mudaram-se para a 25, na Vila de baixo. E eu tive o privilégio de passar ali a minha infância e adolescência. E tudo começou naquele lugar o qual considero sagrado, minha raiz e onde foi levado o meu cordão umbilical, após o parto realizado pela saudosa Dona Carmem “Parteira”, ali do Areia Preta.

E aqui estamos hoje, no seu 45º aniversário e muita coisa mudou, é verdade, mas a minha sensibilidade de monlevadense permanece. Assim como a de outros monlevadenses, da geração que completa agora seu cinqüentenário. É, estamos ficando velhos, como diriam nossos pais. E, perpetuando a letra da música “Como nossos Pais”, do cearense Belchior, fica o contentamento de saber que, “apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como eles”… Podemos não ser aquela geração dourada, mas de prata, com certeza. E todos nós, crescemos juntos, estudamos juntos, aprontamos juntos, brincamos e brigamos juntos pelos nossos ideais e, apesar da dispersão – cada qual seguindo seu rumo -, a distância física não conseguiu roubar a nossa amizade. Somos eternos… Como é eterna a nossa João Monlevade, hospitaleira por demais. E os seus filhos, onde quer que estejam, não lhe abandonam jamais, porque tem essa coisa de pele, de raiz. Pois quem bebe desta água, jamais provará de outra igual.

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Saudosa praça do Cinema, onde tudo teve início. Aqui, o prédio onde funcionavam a Rádio Cultura, a Farmácia de Seu Vicente, a agência dos Correios e outros estabelecimentos

Cidadãos Honorários

28 de abril de 2009

Volta à cena a novela sobre a escolha dos novos cidadãos honorários de João Monlevade. E quem pode receber o título? Pessoas que obrigatoriamente não nasceram no município. Ou seja, a Cidadania Honorária somente pode ser conferida a forasteiros. Os chamados nativos recebem o título de “Honra ao Mérito”.

Trata-se de uma estratégia política que já se tornou ponto comum, e quem somos nós para afirmar quem são e quem não são os merecedores do título! E isso não é privilégio de João Monlevade. Em época de aniversário das cidades, diplomar pessoas que se destacaram ao ponto de receber a homenagem já é uma tradição. Mas sempre surge a polêmica. Afinal, geralmente são diplomadas pessoas mais influentes na comunidade, a exemplos de empresários, juizes, políticos, delegados, padres, médicos etc. Outros cidadãos e cidadãs que também não nasceram em João Monlevade e que prestam muito mais serviços à comunidade – atuando como voluntários – ficam sempre pra o segundo plano. Mas, obviamente, como em toda exceção há regra, no quesito em pauta também ocorrem casos extraordinários.

Mas, chegamos a mais um data-querida de nosso município. E automaticamente os nossos nobres vereadores usam a fórmula de eleger deste ou daquele senhorio; uns merecedores e outros nem tanto. Mas, quem sou eu para julgar quem merece e quem não merece o título de Cidadão Honorário de João Monlevade? Seria necessário um Plebiscito? Nem tanto…