Archive for maio \31\UTC 2009

O povo deixou de ter memória curta para perdê-la de vez

31 de maio de 2009

Henfil Irmãos
Betinho, Chico Mário e Henfil, no colo da mãe e que se tornou famosa com “Cartas para Mamãe”, publicadas pelo cartunista em sua Coluna na Revista “IstoÉ”

Como brincou o amigo Márcio Passos, ele está se tornando um alcoólatra de tanto ler em meus escritos que sempre estou acompanhado de uma cerveja com cachaça. Pois é, mas esse fato se repete nessa noite de sábado, aguardando apenas que o grande “Duda”, aqui do Magalito, mande subir as loiras geladas. Mas é que a cerveja dá um sentimento mais profundo à emoção e a cachaça coloca de vez a inspiração sobre os teclados. E se Vinícius sempre se inspirou no copo de Wisck, assim como Chico Buarque e outros grandes mestres, este simples escrevinhador opta por doses mais baratas.

Pois bem, mas é que antes de o sono chegar assisto a um Documentário intitulado “3 Irmãos de Sangue”, produzido em 2006 pela cineasta Ana Patrícia Reininger e que conta história de vida de três brasileiros raros e que tiveram um papel social e cultural de tamanha relevância em nosso país. Foram os irmãos Betinho, Henfil e Chico Mário, todos hemofílicos de nascença e que foram contaminados – nos anos 1980 – pelo vírus da Aids, através da transfusão de sangue. Isso porque a saúde pública do Brasil não deu a importância necessária ao problema e sangue contaminado era distribuído aleatoriamente sem nenhuma fiscalização. E, entre milhares de vítimas – pode-se dizer “assassinados pelos governos federal, estadual e municipal”, como citou Henfil dias antes de morrer -, os três irmãos. O sociólogo, o cartunista e o músico, respectivamente.

Assistindo ao Documentário, a minha reação foi espanto. Afinal, o dever dos governos é o de oferecer saúde à população. Mas no Brasil, o que se oferece é sangue soropositivo. E será que o quadro mudou nos últimos vinte anos? Ou o pobre continua sendo humilhado nas portas dos hospitais públicos deste país? Mas, isso é outra história, porque falo aqui dos irmãos. Chico morreu aos 40 anos, em 1988. Henfil morreu aos 44 anos, também em 1988. Betinho veio falecer em 1997, aos 62 anos. Todos de forma prematura e assassinados com sangue contaminado. Mas, qual de nós, brasileiros que conhecemos as histórias desses heróis, tem na memória a lição de vida de cada um deles? A nossa memória não é curta, ela foi perdida de vez. Lembramos sim de outros heróis, daqueles produzidos pela mídia. Não dos cartuns e do humor afiado do Henfil, das lindas melodias de Chico Mário e da luta em favor da cidadania do Betinho, idealizador do programa “Fome Zero”, no ano de 1993, e que hoje apenas ficou para a história. A obra dos diques, iniciada por eles, não teve sequência. Uma pena! E certamente outros heróis brasileiros também são

Sete dores que não devem ser menosprezadas

30 de maio de 2009

30 de maio de 2009

7 dores que são a ponta do iceberg
Elas avisam: algo está errado. Mas preferimos pensar que vão passar depressa a procurar um médico. É aí que muitas vezes damos de cara com o perigo. Saiba como escapar de um engano

Levante a mão quem nunca se automedicou por causa de uma dor. É corriqueiro achar que ela é um mal passageiro, entupir-se de analgésico e esperar até ela se tornar insuportável para ir ao médico. Estudos indicam que 64% dos brasileiros tentam se livrar da sensação dolorosa sem procurar ajuda. Foi assim com a auxiliar de dentista Antônia Sueli Ferreira, 45 anos, de São Paulo. “Tomei muito remédio durante três meses por causa de cólicas fortíssimas e do que parecia ser uma lombalgia. Só depois fui ao médico. E então descobri que tinha um câncer colorretal. Tive de ser submetida às pressas a uma cirurgia. Por sorte, estou bem”, conta. Segundo o cirurgião Heinz Konrad, do Centro para Tratamento da Dor Crônica, em São Paulo, “a dor é um mecanismo de proteção que avisa quando algo nocivo está acontecendo”. A origem do malestar? Eis a questão — e, para ela, precisamos ter sempre uma resposta. “Na dúvida, toda dor precisa ser checada, ainda mais aquela que você nunca sentiu igual”, aconselha o cardiologista Paulo Bezerra, do Hospital Santa Cruz, em Curitiba. Aqui, selecionamos sete dores que você nunca deve ignorar

Dor de cabeça

30 de maio de 2009

Dos 10 aos 50 anos, ela geralmente é causada por alterações na visão ou nos hormônios — esta, mais comum entre as mulheres. E esses são justamente os casos em que a automedicação aumenta o tormento. “Isso porque, quando mal usado, o analgésico transforma uma dorzinha esporádica em diária”, avisa o neurocirurgião José Oswaldo de Oliveira Júnior, chefe da Central da Dor do Hospital A.C. Camargo, em São Paulo. Acima dos 50 anos, as dores de cabeça merecem ainda mais atenção: é que podem estar relacionadas à hipertensão.

Dor de garganta

30 de maio de 2009

Costuma ser causada pela amigdalite de origem bacteriana ou viral. “Se não for tratada, a amigdalite bacteriana pode exigir até cirurgia”, alerta o otorrinolaringologista Marcelo Alfredo, do Hospital e Maternidade Beneficência Portuguesa de Santo André, na Grande São Paulo. A do tipo viral baixa a imunidade e, em 10% dos casos, vira bacteriana. Portanto, pare de banalizar essa dor. Se ela parece nunca ir embora, abra os olhos: certos tumores no pescoço também incomodam e podem ser confundidos, pelos leigos, como simples infecções.

Dor no peito

30 de maio de 2009

“Quando o coração padece, a dor é capaz de se espalhar na direção do estômago, do maxilar inferior, das costas e dos braços”, descreve o cardiologista Paulo Bezerra. Em geral, isso acontece quando o músculo cardíaco recebe menos sangue devido a um entupimento das artérias. “A sensação no peito é como a de um dedo apertado por um elástico. E piora com o estresse e o esforço físico”, explica Bezerra. Não dá para marcar bobeira em casos assim: o rápido diagnóstico pode salvar a vida.

Dor nas pernas

30 de maio de 2009

Muita gente não hesita em culpar as varizes — às vezes injustamente. “A causa pode ser outra”, avisa a fisiatra Lin Tchia Yeng, do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Uma artrose, por exemplo, provoca fortes dores nos pés e nos joelhos. Se não for tratada, piora até um ponto quase sem retorno. “Em outros indivíduos a dor vem das pisadas”, explica Lin. “É quando há um erro na posição dos pés ou se usam calçados inadequados.” Sem contar doenças como hipotireoidismo e diabete, que afetam a circulação nos membros. “Há medicamentos específicos para resolver a dor nesses casos”, diz a reumatologista Solange Mandeli da Cunha, do Centro de Funcionalidade da Dor, em São Paulo.

Dor abdominal

30 de maio de 2009

Uma dica: o importante é saber onde começa. Uma inflamação da vesícula biliar começa no lado direito da barriga, mas tende a se irradiar para as costas e os ombros. Contar esse trajeto ao médico faz diferença. “Se a pessoa não for socorrida, podem surgir perfurações nessa bolsa que guarda a bile fabricada no fígado”, diz o cirurgião Heinz Konrad. Nas mulheres, cólicas constantes — insuportáveis no período menstrual — levantam a suspeita de uma endometriose, quando o revestimento interno do útero cresce e invade outros órgãos. “Uma em cada dez mulheres que vivem sentindo dor no abdômen tem essa doença”, calcula a anestesiologista Fabíola Peixoto Minson, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

Dor nas costas

30 de maio de 2009

A má postura e o esforço físico podem machucar a coluna lombar. “É uma dor diária, causada pelo desgaste físico e pelo sedentarismo”, diz o geriatra Alexandre Leopold Busse, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Conviver com o tormento? Essa é a pior saída. A dor nas costas, além de minar a qualidade de vida, pode escamotear o câncer no pâncreas também. “No caso desse tumor, surge uma dor lenta e progressiva”, ensina a fisiatra Lin Tchia Yeng. Por precaução, aprenda que a dor nas costas que não some em dois dias sempre é motivo de visitar o médico.

Dor no corpo

30 de maio de 2009

Se ele vive moído, atenção às suas emoções. A depressão, por exemplo, não raro desencadeia um mal-estar que vai da cabeça aos pés. “O que dá as caras no físico é o resultado da dor psicológica”, diz Alaide Degani de Cantone, coordenadora do Centro de Estudos e Pesquisas em Psicologia e Saúde, em São Paulo. “Quem tem dores constantes aparentemente sem causa e que vive triste, pessimista, sem ver prazer nas coisas nem conseguir se concentrar direito pode apostar em problemas de ordem emocional”, opina o psiquiatra Miguel Roberto Jorge, da Universidade Federal de São Paulo. E, claro, essas dores que no fundo são da alma também precisam de alívio.

Fonte: http://www.abril.com.br