Para uma cidade sem casas da “Luz Vermelha”…

Estou agora ouvindo “Tarde em Itapoã”, na voz de Vinícius de Moraes e ao som do violão de Toquinho. Tudo é breve e passageiro, mas voltei a Salvador, Bahia, onde morei por algum tempo. Mas não quero falar da Bahia e nem da praia de Itapoã. Apenas deu uma baita saudade. Só isso! Quero falar mesmo sobre uma cidade sem zona, sem uma casa da luz vermelha. Sem a “Boate Azul”. E esta cidade é a minha. Porque aqui, não só acabaram com a maior parte de nossa história arquitetônica traga do Velho Continente, em estilo neoclássico, mas também com as zonas boêmias, com as casas das “menos favorecidas”. Das meretrizes e saudáveis mulheres.

Conversa na manhã de hoje com alguns conhecidos no “Bar do Roberto”, ali na Getúlio Vargas, entre os quais com o ex-colega de República, grande José Geraldo, o popular “Gordo” (único magro que conheço que tem este apelido) e lembrávamos dos gloriosos (por que não?) tempos das zonas que faziam parte da história de nossa Jean Monlé. A principal delas, ali em Bela Vista de Minas, o velho “Onça”, era a “Candeia”, do Zé Abade. Quando conheci a casa, em fins dos anos 1970, já estava decadente. Mas foi, segundo eméritos freqüentadores – entre as décadas de 50 ao início de 70 -, a melhor zona de toda região entre o Médio Piracicaba até o Vale do Aço. Tanto que os operários da Usiminas, nas folgas de “96”, pegavam o primeiro Lopes que deixava a Rodoviária em Ipatinga, depois das 23, e apeavam exatamente na velha estrada da Candeia, assim conhecida até hoje.

Pois bem, mas vieram outras lembranças do tempo que eu e alguns colegas – todos solteiríssimos na época – saíamos ali do Bar “Encontro Marcado”, na Rua do Andrade, às quartas-feiras, e fazíamos a nossa “via-sacra” boêmia: “Pascoal (Loanda), “Buraquinho” (região do Cruzeiro Celeste, onde está hoje a Rede Graal) e o “Sayonara (Bairro de Fátima, Rio Piracicaba). Lá pelas tantas da madrugada parávamos na Rodoviária (hoje o PA) para tomar um café com leite quente (copo duplo) e comer um misto quente no barzinho que ficava na parte de baixo do Terminal, onde trabalhava um senhor já de idade, muito simpático, sempre usando a sua camisa do Flamengo. E na zona a regra era fazer farra; pagar ficha e dançar com as mulheres, tomar Vodka ou Campari. Sem confusão. Era uma forma de se divertir e na época sem qualquer violência. Fazia parte de uma rotina de jovens, no tempo que era possível sonhar sem Internet, sem globalização.

Salão do antigo “Buraquinho”

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5 Respostas to “Para uma cidade sem casas da “Luz Vermelha”…”

  1. Geraldo Elias Says:

    Que isto Marcelo? Monlevade esta se tornando uma cidade “sem.”
    Sem cinema, sem zona, sem prefeito………..
    E por falar em zona…
    Voce sabia que as mulheres da Candeia participavam de um bloco no carnaval de Monlevade? Elas eram uma das atrações do carnaval por volta de 1962, 1963. Elas chegavam na Praça do Cinema na carroceria de um caminhão, vestidas de branco, com as saias rodadas, tipo baiana, e eram uma atração a parte. Elas dançavam, desfilavam pela Praça do Cinema e depois voltavam pro batente na Candeia. A porta bandeiras era a Neidão, uma negra bem provida fisicamente e que era famosa na época por gostar de meninos virgens.
    Nesta época eu morava na rua Carijos, proximo ao sindicato e te confesso que a minha expectativa referente ao carnaval de Monlevade que acontecia na Praça do Cinema era o Sambafurô e o Bloco da Candeia.
    Bons tempos, viu Marcelo.
    Tempos que uma criança de 8 ou 9 anos andava tranquilo em Monlevade, sozinho, sem preocupação com violencia de qualquer especie.
    Boas lembranças.
    Um abraço.
    Geraldo Elias.

  2. Mauro Lúcio Rodrigues Says:

    Marcelo, relembre porque os maridos faziam ‘hora extra’ todos os dias!!! Assista o vídeo com a música tema de uma das casas mais famosas daqui:

  3. José Roberto Says:

    Eu fiz parte dessa época, aproveitei bastante.
    Tenho saudade da turma que participou comigo.

    Abraço,
    José Roberto

  4. claudio gomes Says:

    essa lembrança do bloco foi muito boa, aliás esse bloco se chamava eldorado com estandarte e tudo, o bonito era ver o desembarque do bloco que acontecia na beira-rio os moleques se esbaldavam, as mulheres não tomavam nenhum cuidado ao descerem do caminhão, época boa, só saudades.

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