E agora, Monlevade?

Usina de Monlevade

Certamente, por questões acionárias ou mesmo de marketing, a ArcelorMittal não vai ajoelhar e confessar com todas as palavras a realidade do seu novo plano de ampliação para a unidade de João Monlevade. Mas o que vem por aí está claro e cristalino e só não enxerga quem não acompanha o desenrolar dos fatos ou tem interesses radicais na exploração do caso. A empresa desistiu, pelo menos para o momento, do plano anterior de ampliação de sua planta siderúrgica local para dobrar a produção e laminação de aço para os mercados nacional e internacional, o que garantiria mais empregos na Usina e mais impostos para os cofres do município.

Na nova versão para retomada das obras, o grupo empresarial comandado pelo indiano Lakshmi Mittal decidiu construir o novo laminador com capacidade para dobrar a produção de fio máquina em Monlevade, mas a produção de aço permanecerá a mesma, pois continuam suspensas as obras de novo alto forno e nova aciaria. Para compensar a diferença entre aço local produzido e a capacidade de laminação, a Usina vai receber alguma coisa perto de 500 mil toneladas de aço de outras unidades do grupo, o que não descarta a instalação do alto forno e laminador já comprados em Cariacica (ES) ou, mais propriamente, em Juiz de Fora.

Cumprido o que se desenha com as novas informações, a Usina de Monlevade não mais ampliaria seu quadro de funcionários. Pelo contrário, o reduziria ao longo do tempo, podendo chegar a apenas 500 trabalhadores a médio ou longo prazo. Já ao município, além da quebra da expectativa de mais empregos e o fantasma da diminuição dos mesmos, resta a compensação do pagamento de mais impostos sobre 1,1 milhão de toneladas de fio máquina acrescidas à produção. É mais dinheiro no caixa e mais problemas sociais a se resolver. Para uns, o fim dos mundos, para outros o menor dos males. Ou seja, bom mesmo seria a antigo projeto de duplicação, mas na possibilidade de nenhum plano, o que se anuncia é o menos pior.

O plano de ampliação da capacidade de produção na Usina de Monlevade remonta a 2008, antes da crise econômica mundial revelada em outubro daquele ano. A empresa anunciou investimentos de 1,5 bilhão de dólares no Brasil, sendo que 1,2 bilhão seriam investidos nos projetos para Monlevade. Os equipamentos foram comprados e as obras iniciadas, mas com os efeitos da crise e as alterações provocadas no mercado de aço, o projeto nunca tomou o ritmo proposto e foi desacelerado até ser totalmente paralisado em meados de 2011. Nos últimos dois anos, praticamente não se falou no assunto e os equipamentos comprados ficaram guardados em Juiz de Fora.

Agora, a empresa anuncia o novo plano mais modesto, representando investimentos de 352 milhões de reais em suas unidades de Monlevade, Juiz de Fora e Cariacica (ES). Apesar da falta de sinais claros para a economia, justificou a decisão sobre o plano modificado a expectativa de nova infra-estrutura de transportes no país, além de eventos esportivos como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. “Tudo vai depender do mercado”, avisa Jefferson de Paula, presidente da ArcelorMittal para as Américas. As obras na Usina de Monlevade começam ainda neste mês de junho e a previsão é de conclusão no final de 2014. Se o novo projeto for cumprido como anunciado, o acréscimo na receita do município se verificará após 2016, quando o efetivo de trabalhadores na Usina será menor do que o que se verifica hoje e que não chega a 1.200 pessoas.

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