Lavras Novas: Um ano de Renascimento

Estranho, mas o tempo passa tão rápido que, quando nos damos conta, chegamos. E assim cada dia passa a ser menor. Uma pausa… Menos aqui neste lugar onde escolhi para morar e, percebendo, justamente pelo fato de aqui o tempo andar mais devagar, hoje está completando exatamente um ano que me mudei para cá. E nestes montes o tempo pára, porque assim quer o Criador, entre o mar de montanhas destas Geraes, de miltons e marias, nesta Lavras Novas.

Foi de repente, quando decidi lá atrás escrever uma história sobre minha terra natal, João Monlevade. E quando jamais imaginaria que mudaria de ares, de cidade, e muito menos para este paraíso. Foi assim, onde escolhi para passar algum tempo e finalizar aquela “Saga”. Mas o tempo deu lugar ao tempo e, aquele 5 de julho de 2013, como numa mágica, transformou-se em verdade, em moradia fixa, e não apenas em uma estadia.

Pois é, mas aqui estou, neste grotão de serra e em meio a um povo simples e de uma cultura ímpar. Ao seu estilo, de fala rápida e sotaque singular, próprio do nativo. Dos encantos naturais até degustar das coisas mais simples, como assentar nas “arquibancadas” em frente ao “Bar do Doriedson” (filho do saudoso Sr. Nelson), e aguardar o ônibus das “6”, trazendo os “inútius”, como brinca o Cláudio “Chiquitão”. Ou tomar uma no “Bar do Cláudio” e ouvir as histórias dos nativos, como daquela contada pelo Cirilo, do porco que nasceu com “cara de gente”. Das risadas do Walmir ou presenciar o Vilmar filosofando. Ou ainda o Zezé, neto do Seu Rabicó, andar com jeito apressado do povo daqui, parecendo com pressa sem estar. Ou avistar a todo instante o Luiz, do saudoso Seu Domingos, ir pra lá e pra cá com sua moto, catando lavagem para seus porcos. Ouvir os acordes da sanfona do Chicletes e Zezé, que varre as ruas, cantando o “Hino de Lavras Novas’, acompanhado do Zé Curso e de Seu Januário Acordar pela manhã e, entre a neblina e o sol dando as caras, avistar a simpática Dona Lídia, de sua varanda, observando o movimento e abençoando quem passa em sua porta. Da fé que move este povo pela Nossa Senhora dos Prazeres, Padroeira do lugar.

Pois é, meu povo, meus conterrâneos de João Monlevade, meu tempo por aí passou, mas felizmente ficam os amigos e as boas lembranças. Aqui, na terra ouro-pretana, em Lavras Novas, se refaz uma nova era, como a Fênix, renascendo das cinzas e com uma qualidade de vida que não imaginava existir. Com seus mil e poucos habitantes e de uma história centenária de um ar contado pela magia de aqui ter sido um Quilombo. De entender que as coisas, quanto mais simples, mas belas são aos olhos e à mente. Agradeço a Deus por esta oportunidade, aos meus filhos, à minha esposa e aos familiares e amigos, pela alma deste lugar.

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 Fotos: Marcelo Melo

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