Pedrosa se vai e com ele a história de um grande metalúrgico

Faleceu no início da madrugada de hoje, na cidade de Itabirito, o metalúrgico aposentado José Martins Pedrosa, aos 68 anos de idade. Há alguns anos ele sofria com um câncer e, após tratamento, a doença o venceu, despedindo-se de nós nesta madrugada. O sepultamento será hoje, às 16 horas, no cemitério de Itabirito. Ele era casado com Célia Pedrosa e deixou dois filhos.

Pedrosa, como todos o conheciam, aposentou-se na Belgo-Mineira, em Monlevade, em 1993. À época, residia na Rua Santa Rita, Bairro Santa Bárbara. Mas, dois anos depois de se aposentar, resolveu se mudar para sua terra-natal, Itabirito, onde durante estes 20 anos sempre esteve empenhado no trabalho comunitário naquela cidade e ligado à Igreja Católica. Conterrâneo de outro saudoso monlevadense, o garçon Agostinho, e do maior técnico de futebol que o nosso país já viu, saudoso Mestre Telê Santana.

Em época de Usina, Pedrosa era do tipo operário politizado, interado em assuntos econômicos e políticos. De esquerda, mas na época em que os esquerdistas tinham ideal em favor da justiça social. De acreditar no verdadeiro socialismo. Nas folgas, e ainda solteiro, residindo no Centro Industrial, tinha como roby se assentar no “Rampa´s” e ter sempre às mãos o “Folha de São Paulo” ou a Revista “Veja”, não muito comum para a época. Boêmio, era um fiel degustador da cerveja Antárctica, mas aquela boa, fabricada na cidade de Pirapora. Um cara bronco e muito bom de prosa. Inteligente e batia de frente com quem quer que fosse, e, como no samba do grande Martinho da Vila, tinha argumento para qualquer bacharel.

Como disse agora a pouco o Lauro “Santa Bárbara”, também boêmio e muito amigo de Pedrosa em época de Belgo-Mineira e dos butecos, ele era um cara diferenciado. Desses amigos de fé, mesmo, um irmão camarada. Anos atrás, salvo engano em 2009, eu e Lauro estivemos fazendo uma visita em sua casa, em Itabirito, onde passamos horas agradáveis, colocando a prosa em dia e dando muitas gargalhadas. Pedrosa e Lauro já não bebiam mais, no entanto, na geladeira do amigo tinha uma cerveja gelada. Lembro-me que, ao pegar a garrafa, já foi dizendo: – “Eu parei de beber já alguns anos, Marcelo, mas aqui em casa só se serve Antárctica para os amigos. Pena que não seja de Pirapora”. Muito riso.

Pois é, mas ficará a saudade. Vá em paz, grande Pedrosa, e que Deus o receba de braços abertos, pelo grande homem que foi e grande exemplo de companheirismo.

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