Rio Piracicaba: Vale não comparece à Audiência Pública para discutir segurança da barragem e recebe duras críticas

A Vale perdeu uma grande oportunidade e participar da Audiência Pública realizada na noite de ontem, na Câmara Municipal de Rio Piracicaba, que foi realizada após convocação do presidente da Casa Legislativa, vereador Luiz Sérgio de Oliveira. O tema foi “Fiscalização da segurança das barragens de rejeitos de Mineração” e sobre a “Responsabilidade ambiental pelos danos causados em caso de rompimento das barragens. Participaram como palestrantes o professor da PUC Minas e advogado Mário Quintão Soares, e as advogadas Graziela Justino Ladeia e Marisa Pereira Campos, todos especialistas  em causas sobre indenização por danos ambientais e direitos do consumidor.

Após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, ocorrida no último dia 5 de novembro, cresceu a preocupação das cidades onde estão instaladas as barragens de rejeitos das mineradoras, incluindo-se ai Rio Piracicaba, onde atua a Vale com a Mina de Água Limpa e a barragem do Diogo. Dessa forma, o presidente da Câmara marcou a Audiência Pública, que teria um representante da Vale. No entanto, para surpresa de todos, a empresa não mandou representante, encaminhando na tarde dessa sexta-feira, 4, horas antes do início da sessão, uma correspondência afirmando que não participaria da Audiência, sem apresentar qualquer justificativa plausível. Sua única desculpa foi de que tem realizado reuniões com a comunidade de Rio Piracicaba, desde o dia 13 de novembro. “Nossa equipe técnica está realizando reuniões com o poder público e a comunidade para apresentar de forma clara e transparente o método construtivo das nossas estruturas, as condições atuais das barragens da Minas de Água Limpa, bem como monitoramentos sistemáticos e auditorias externas anuais para garantir as condições de segurança”, diz textualmente uma parte da carta,  e que foi assinada pelo gerente executivo de Operações das Minas Centrais, Rodrigo de Paula Machado Chaves.

A ausência da Vale e a justificativa geraram protestos durante o encontro, principalmente por parte da advogada Marisa Pereira Campos, que fez duras críticas à mineradora. Segundo a palestrante, a Vale, com estes encontros promovidos em seu escritório, tem como objetivo manipular as pessoas e fazer chantagens, como por exemplo dizer que pode até deixar de explorar o minério na região. “Isto é mentira, porque, da mesma forma que a comunidade precisa das mineradoras para geração de emprego e renda, as mineradoras precisam de permanecer na região. Afinal, elas vivem da exploração de minério, de exportá-lo e gerar lucros. E há um documento, em que a empresa tem a obrigatoriedade de permanecer trabalhando na exploração e produção do produto. Do contrário, ela perde a outorga e outra empresa assume a exploração. Portanto, o que a Vale está fazendo é pura chantagem e faz estes encontros em seu escritório para impedir a presença da mídia e de especialistas na área. Tudo para manipular a comunidade e isto também vem ocorrendo em Mariana”, sentenciou a advogada Marisa Pereira Campos.

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A advogada Marisa Campos, que aparece ao lado do advogado e professor Mário Lúcio Quintão Soares, fez duras críticas à Vale, durante Audiência Pública realizada nesta sexta-feira, na Câmara Municipal de Rio Piracicaba

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Encontro ocorreu atendendo à convocação do Presidente da Casa Legislativa, vereador Luiz Sérgio de Oliveira, que aparece na foto encerrando a sessão

(Fotos: Marcelo Melo)

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