Dr. Railton quem procurou Laércio para ser o vice? E o ex-vereador Gleber Naime quem convenceu o ex-prefeito a aceitar o convite

70% da militância do PT queria apoiar a candidatura de Conceição, mas valeu a força das lideranças “de fora” que mandam no partido em Monlevade

 

Felizmente, há mais de 30 anos militando na imprensa, temos nossos fieis informantes a quem sempre chamei pela alcunha de “Passarin Verde” (Esta patente é minha – rs). Geralmente não falham em suas informações e o que sempre pedem é o “sigilo da fonte”. Isto é nossa obrigação como jornalistas. Mas, vamos aos fatos.

Pode até parecer atrasada a informação que tenho a dar, ou piegas. No entanto, como profissional, não iria sossegar enquanto não conseguisse juntar as peças deste quebra-cabeça. E tudo somente foi possível graças à junção de informações que obtive de duas fontes, uma delas filiada ao PHS e outra filiada ao PCdoB. Afinal, é público que, após o golpe que Railton Franklin, com aval do PT, deu em Danilo Teixeira e Antônio de Paula Magalhães (Toninho Eletricista) – até então os pré-candidatos na chapa encabeçada pelo PDT visando as eleições municipais deste ano em João Monlevade – provocou um racha nos dois partidos. Tanto que uma parte do Grupo do PHS hoje apoia a candidatura de Simone Moreira e uma parte do PCdoB está apoiando a chapa encabeçada por Conceição Winter. Isto é fato!

O “Golpe”!

Mas, como a palavra é moda hoje no país, o “golpe” aplicado pelo Dr. Railton e parte do PDT foi com apoio do PT, e cujo grupo é ainda liderado pelo ex-vereador Gleber Naime de Paula e tem apoio do ex-pedetista Gentil Bicalho. No início do processo e quando o PT ainda desenhava suas alianças, alguns petistas históricos defendiam apoio à Conceição Winter. Segundo uma das fontes, durante uma das últimas Plenárias do partido, 70% dos militantes petistas eram favoráveis em apoiar a candidatura dela. Mas, sem nenhuma explicação, a proposta não foi colocada em votação. Dessa forma, o processo foi adiado até a intervenção da Executiva Municipal do PT que, segundo lembrou um ex-filiado, parece mais a uma “Comissão Provisória”, pois a grande maioria dos integrantes é de fora. No entanto, conforme citou a fonte ligada ao PHS, um convite proposto por um assessor do deputado Nozinho, que atua na cidade de Santa Bárbara, chamado Rodrigo, também ajudou a tumultuar o processo. De acordo com a informação, este assessor tinha carta branca e, com a presença de Gentil Bicalho e outros militantes do PT, solicitou uma reunião com Conceição Winter e Gercy Couto. Ao chegar para o encontro, o tal assessor teve a ousadia de fazer a seguinte proposta: “Conceição deixar de ser candidata e sair de vice na chapa de Danilo Teixeira”. No mesmo instante, indignado com a proposta, o hoje candidato a vice-prefeito na chapa, contabilista Gercy Couto, deu a seguinte resposta: -“Com esta proposta, a reunião acabou. Nós já temos candidata a prefeita”.

Dali em diante começou a surgir um clima não muito favorável entre o PDT e o PPS, e o nome do Dr. Railton voltaria a ser “namorado” pelo próprio deputado Nozinho, que nunca negou sua preferência em tentar conquistar a Prefeitura de Monlevade. E, mesmo em minoria, as lideranças do PT começariam a articular nos bastidores, tentando migrar os petistas históricos para uma aliança com Railton. E mais argumentos foram usados, sempre valendo-se do contraditório, como um que sempre foi citado pelas lideranças, de que “o PT não poderia apoiar a candidatura de Conceição Winter, porque o PPS todo votaria a favor do impeachment de Dilma Roussef”. No entanto, por estas incoerências do destino, os três senadores do PDT – Lasier Martins (RS), Telmário Mota (RR) e Acir Gurgacz (RO) – votaram pelo impeachment, ou seja, todos do partido do qual fazem parte o Dr. Railton e o deputado Nozinho. Mas, dando continuidade à proposta de se coligar com o PDT, e tendo como principal articulador o ex-vereador Gleber Naime de Paula, os petistas históricos, evitando rachar o partido, retiraram a proposta de apoiar Conceição e decidiram seguir a determinação da Executiva. Daí faltava apenas convencer Dr. Laércio a aceitar o convite feito por Railton Franklin. E, de acordo com as mesmas fontes e também de um elemento ligado ao PT, Gleber Naime conseguiu remover Laércio da ideia de não aceitar entrar na disputa, convencendo-o a participar do processo. E mais uma vez o ex-prefeito aceita disputar o cargo de candidato a vice, como ocorreu nas eleições de 2012.

Epílogo

Foi dada então a partida para a reta final. Em uma quinta-feira, meados de julho, O PT realizava sua convenção e Laércio Ribeiro acabou declarando que Railton o havia procurado, naquela semana, para que ele saísse como candidato a vice na chapa do PDT. E caso aceitasse a proposta, Railton sairia como cabeça de chapa, ou seja, candidato a prefeito. Naquela oportunidade, o grupo já se armava para tirar Danilo do páreo. Tão logo Dr. Laércio fez o comunicado, a reunião foi suspensa. Foi marcada nova convenção para a semana seguinte, ou seja, dia 22 de julho, uma sexta-feira. Tempo suficiente para que Gleber Naime e seu grupo trabalhassem para convencer Dr. Laércio a sair candidato a vice na chapa do PDT.

Na manhã de sábado, 23 de julho, surgiria a especulação de que Railton e Laércio haviam fechado um acordo. O caso alastrou-se rapidamente e, naquela mesma manhã, logo depois que mantive contato telefônico com Dr. Railton (esta história já foi relatada por mim na imprensa escrita, em meu Blog e nas redes sociais), as lideranças do PHS (partido do qual faz parte Toninho Eletricista) obrigaram Railton Franklin a dar um depoimento, apoiando a chapa. Na oportunidade, foi feito um vídeo, com as presenças de Railton Franklin; do pré-candidato a prefeito, Danilo Teixeira; e do pré-candidato a vice, Toninho Eletricista, onde o médico fez questão de ratificar seu apoio à chapa. Tal vídeo pode ser visto nas redes sociais. Mas, mesmo depois de ter participado da gravação e feito o seu “emocionado” discurso em apoio à candidatura de Danilo Teixeira, três dias depois, ou seja, na terça-feira, dia 26 de julho, o “Golpe Fatal”: tudo gravado naquele estúdio improvisado não passaria de uma cena de teatro de quinta categoria. Afinal, Dr. Railton rasgaria todo aquele Script, usado em seu discurso de apoio à chapa do PDT/PHS e aos grupos coligados, e fecharia um acordo com o PT, tendo o nome do Dr. Laércio como vice em sua chapa. O fato viria a público na manhã seguinte. Nem o mais cético dos amigos de Danilo acreditavam que Dr. Railton fosse capaz de dar um golpe como aquele, abrindo uma ferida que, certamente, irá demorar muito a cicatrizar.

Obviamente que, em todas as histórias, há duas ou até mais versões. E não estou aqui defendendo minha tese de que “sou o dono da verdade”. Longe disto! Mas esta me foi passada por duas pessoas que participaram ativamente de todo o processo e se fizeram presentes em todas as Plenárias, até a convenção final. E sinceramente, foi difícil convencê-las a me passar todas estas informações. Algumas até já conhecidas ou especuladas. Outras inéditas. Mas o certo é que relatei aqui uma história que, daqui a alguns anos, servirá de tese para outros espetáculos políticos, porque muitas outras contradições e traições acontecerão durante os processos sucessórios. Afinal, como dizia Magalhães Pinto, “A política é igual nuvem. Cada momento está em uma parte”. Está dito”!

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