Adeus Vital, um amigo que amávamos do seu jeito!

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Carrancudo, ignorante, sempre quase de mal com a vida. E um grande xingão. Aliás, xingar era o melhor remédio para curar seu mau humor. Bastava brincar que a cerveja estava quente, que ele já gritava de lá: – “Não te chamei aqui. Vai beber em outro lugar. TNC”! Sem contar os outros palavrões. Mas, mesmo diante de tantas intempéries, era um cara do bem e de coração grande. E nós, os fregueses habituais, de décadas, estávamos nem aí. Sempre íamos ao seu bar, fosse na Rua do Andrade, quando foi sócio com o outro amigo José Roberto, e mais tarde sozinho; e depois ali na “Rua do Sapo”, na Vila Tanque, em sociedade com Laudir Gasperini e há anos sozinho, atrás do balcão, ou servindo seus fregueses nas mesas, com a cara amarrada e de “poucos amigos” (rs). Mas gostávamos dele! Era engraçado e tinha um tratamento especial conosco. E eu, particularmente, lhe devo muita gratidão.

Falo aqui do amigo José Vital Barbosa (foto), que nos deixou na tarde desta quarta-feira, 19 de outubro, aos 62 anos de idade. Ela encontrava-se internado no Hospital Margarida vítima de problemas pulmonares e seu caso se agravou-se nos últimos dias. Que Deus lhe receba de braços abertos e conforte os familiares e amigos. O sepultamento se dará amanhã, às 14 horas, saindo do velório Municipal.

Tudo começava ali na saudosa Praça do Mercado, onde Vital, como era conhecido, trabalhou durante anos no famoso Bar “Casa Vera”, e depois no “Princesinha”. Isto quando ele era ainda um adolescente, na década de 70. E, mesmo sendo um péssimo cozinheiro e um balconista de cara fechada, trabalhar em um bar sempre foi sua profissão e deste empreendimento fez sua vida, com dignidade. E com muito sucesso. Afinal, seu primeiro bar, junto ao sócio José Roberto, localizado à Rua do Andrade, em Carneirinhos, começou a operar sob a direção dos vilatanquenses e amigos no ano de 1982. Ou seja, são 34 anos que ele administra um estabelecimento, o Bar “Encontro Marcado” – cujo nome foi dado por mim, em 82, assim que o bar foi aberto, quando me inspirei em um programa que era transmitido pela Rádio Inconfidência FM (A “Brasileiríssim”), de BH, que só tocava o fino da MPB e a maioria músicas de compositores mineiros, entre os quais Milton Nascimento e a Turma do Clube da Esquina. E ficou o “Encontro Marcado”, mas cuja marca sempre foi o “Bar do Vital”, desde que começou a trabalhar sem sociedade. E ao longo destas mais de três décadas, sempre fomos seus fregueses fiéis. A nossa Turma da Vila e outros que saiam de Carneirinhos e outros locais, só para visitar o amigo mal humorado, conversar fiado, fazer fofoca, falar da vida alheia e tomar de sua  cerveja gelada. Além de soltar muitas gargalhadas. Mas, tira-gosto, só quando o sócio ou a cozinheira estavam no bar, porque o amigo Vital mal-mal sabia fritar uma batata ou um bolinho de carne (rs). Ou então íamos de ovo de codorna ou chips. Mas era divertido! Sem contar a festa de dezembro que fazíamos no bar. Dia 24, o “Natal no Vital é Rabo”, era o nome da festa na época natalina. E reuníamos um grande número de monlevadenses e vilatanquenses que mora fora da cidade. A coisa pegava e mesmo que ele ficasse de mal humor, gostava do evento.

Pois é, mas é vida que segue. E por ali, com certeza, passaram muitas pessoas boas e bons cachacistas e cervejeiros. Muitos causos e muitos segredos. O balcão onde sempre havia lugar para uma boa prosa. De gente que ia e que vinha. E alguns destes fregueses, com certeza, irão se encontrar no céu com o amigo Vital, como o Curió, que se foi recentemente. E vivia xingando o Vital porque deixava os copos sujos. Tem esta ainda. Cada um dos fregueses mais fiéis tinha um copo próprio e que ficava em uma estante, dentro do bar (rs). Poucos se arriscavam a beber do famoso “copo sujo”. Mas isto não importava para nós, porque o bom era estar perto do Vital, o irritando e ao mesmo tempo gostando da sua presença. Era gratificante! Também o Sávio, que era freguês diário. O Puaia com seu violão e o urubu. Irritava demais o moço, mas era divertido. O Capixaba com seus salgados levados prontos. Amilar, outro fanfarrão. Além do Vicentinho, seu fiel escudeiro e que tirava as folgas do Vital, quando o moço ia para a casa do Social, na Lagoa do Aguapé. Esta turma e mais alguns que agora não vieram à memória estarão aguardando a chegada de Vital, e quando São Pedro abrir as portas, vai haver muita festa no céu. Não há dúvidas disto (rs).

E muitas pessoas diziam que ele se parecia comigo. Ambos “sem queixo”, alá Noel Rosa (rs). Talvez fosse por isto. E também bons atleticanos! Hehe…

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As fotos de cima mostram dois momentos, em anos distintos, do “Natal no Vital é Rabo”. O último se deu no ano de 2012

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