Uma Viagem “Lunática” a Nova Almeida

E entre tantos causos, lembro-me de nossa viagem a Nova Almeida, litoral norte do Espírito Santo, em 1982. Mesma data da morte da cantora Elis Regina, que se deu em 19 de janeiro daquele ano, quando estávamos lá. Eu, Vital, José Roberto, Rogério da Paz e Júlio Mundicão. O amigo Antônio Gonçalves, o “Pirraça”, que tinha uma casa lá, nos emprestou para uma semana. Sem ônus, mesmo porque, à exceção de Rogério e Júlio, que trabalhavam, os outros estavam desempregados e totalmente duros. Na falta de grana até para tomar cachaça, levamos um garrafão de cinco litros de pinga e pacotes de Tang/limão, para a Caipirinha do dia-a-dia. E assim foi nossa rotina, da ponte até o famoso “Bar do Chico”, que era a nossa praia.

Até que uma noite uma viagem “lunática”, exatamente no dia que havia falecido a grande Elis Regina. Ouvimos a notícia pela manhã e à noite, reunimos para uma saída noturna. E o litro da caipirinha do lado. Só que, para nossa surpresa, o Júlio estava em posse de um baseado, enrolado em um cigarro de palha. Aquilo mexeu com a gente. Saímos da rua e fomos caminhando pela praia, até o “Bar do Chico”. E nós três, eu, Vital e Zé Roberto, éramos até aquele instante verdadeiros caretas. Só fumávamos o “careta”. E não deu outra. Pegamos aquele cigarro de maconha e fumamos como se estivéssemos nos despedindo do mundo. E Vital me xingava quando ficava muito tempo em posse do cigarro. Cara, foi muito divertido até que, ao entrar no Chico, tive meu lado direito “esquecido”, literalmente falando. Na manhã, ressaca e aquela boca seca, querendo comer o que via à frente. Era muita fome. Mas, esta viagem teve um lado muito bom. Da casa ao lado de Pirraça havia uma turma de mulheres, também como nós, pegando uma praia. Todas de BH. E lá, quando chegava a tarde, “pulávamos a cerca” e lá nos serviam vodka com abacaxi, coco com cachaça, peixe e muitas mordomias. Vital nunca se esqueceu desta viagem, que foi fantástica!

Mas fico por aqui e faço esta simples homenagem a um cara que viveu diferente. E que o amávamos do jeito que ele era. Brigávamos às vezes, discutíamos, mas a nossa amizade sempre foi sólida. Mesmo meses ausentes, quando chegava ao seu bar, era festa, era gargalhadas e muitas histórias e causos para contar. Deus o receba de braços abertos e daqui sentiremos saudades, sempre!

vital

Uma das visitas ao Bar do Vital, com ele sentado à nossa mesa, à esquerda. Ainda na foto os amigos Noca e Felipe

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