O Palco da vida é a Tela e que se valha o mundo!… Uma Crônica que escrevi em 2010.

Acabei de ingerir a minha quinta latinha de Kaiser na noite dessa segunda-feira chuvosa, gostosa, hilária (sem I, ou i). Sem palco, sem plateia e sem aplausos, nem vaia. Só. E vi que meu palco é a tela, cujo cenário se passa sobre os trilhos da Central do Brasil, e não desta Vale imunda, profana.

Vale, que lhe roga a praga do minério, que matas Itabira e Drumond, entre outros cantos. Lembrei-me de nós, de nós anteontem. De nós do amanhã, que revolucionamos as artes nesta terra de francês e luxemburguês. Que enterramos a nossa cultura de desvalidos e colocamos o sonho sobre o “Taberna 33”. De nós, que trouxemos a Monlevade, primeiro no Ginásio do Grêmio e depois no Anfiteatro, o instrumentista Marco Antônio Araújo. Aqui nesta terra de Jean Monlé, revolucionamos, fizemos, aprontamos.

Amávamos Gonzaguinha, Belchior, Fagner, Alceu, Chico, Caetano, Raul. Não fumávamos maconha, apenas o careta. E tomávamos Vodka, pinga com mel e vinho, até doces e paraguaios. Nosso dinheiro não dava pra cerveja, nem nas noites dos tapetes, de Corpus Cristh, quando nos reuníamos no final da noite no “Thomaz Vitaminas” e enchíamos a cara e tocávamos violão. Zema, eu, Toninho, Magela, Zé Willian, Pó, João Bosco, Juju, Tição, Baiano, este que só acabava de tocar seu violão após arrebentar a última corda, dó, si, mi… “Enquanto você se esforça pra ser um sujeito normal e fazer tudo igual. Eu do meu lado aprendendo a ser louco, maluco total, na loucura real. Controlando a minha maluquês, misturada com minha lucidez, vou ficar, ficar com certeza maluco beleza”… E foda-se o mundo real, virtual e o escambal…

Simone, minha musa de muletas que se tornou petista fundamentalista. Mas e daí? Eu amo ela. E foda-se a linguagem, o correto e o oportuno, normal. A nossas aventuras teatrais, de Bertold Brech, eu na pele do juiz. De Magela, “Psicodrama” e “Fatos Fatais”. Levamos grande público por onde encenamos, mas continuamos pobres e miseráveis. Idealistas, anarquistas, graças a Deus! E que venham os coronéis, os “milicos” e os bossais. Fomos e fizemos uma geração nesta terra sem tradição, sem meleca e nem remela, sem arroto e sem peido, chamada Jean Monlevade.

Hoje, ao terminar a minha quinta lata de Kaiser, vi que prefiro um mundo menos sano, insano, perdido, perplexo, normal, incoerente e falso. Menos hipócrita e menos social das mulheres que se fazem de santas para pular os muros, as cercas, os currais. Umas putas da alta sociedade, assim como outros putos alienados, metidos a ricos, cafonas e sacanas. Corja que nem os santos padres abençoam.

Estou na estação de trem, ouvindo o barulho da máquina. “Fiui…fiui…fiui…fiui… lá vai o trem, entre encontros e despedias, diria Milton e Brant. Entre montanhas e vales, entre a hipocrisia e a canalhice. Parei em Monlevade, esta terra que tanto amo e tanto odeio e tanto idolatro. É Jean Monlé, João Romão, meu lugar.

O trem se foi, virou a última curva da derradeira montanha… E viajo entre maioneses e vejo e sinto saudade do meu amigo, polêmico e solidário Guido Valamiel. Cabeças privilegiadas como Luciano Lima, professor Dadinho, Theófilo Domingues, Maroun, Ramos, Leonardo, Alonso Starling, Ramos, Tostão, professora Celeste, Dona Terezinha Mariano, Seu Lelé, Vicente Soares, Wandinho, Gerson Menezes, Padre Hildebrando, Seu Eduardo, Tião de Melo, João Peixe, Paulo Moreira, Bio, Dr. Lúcio, Zé Esteves, Curió, Padrinho Joanico, Seu Totó, Santa Bárbara, Gigante,  Chico Barcelona, João Carlos, Luiz do Cavaco, Zaru, Pereira, Batista do Grêmio, Batista do Social, Pereira, Lucila, Carla, Marilene, Elenice, Marisinha, Tia Nenen, Daida, Padrinho, Zé Cara Santa, Dona Ritinha, Diló, Padrinho Narcísio, Dona Adelina, Dona Joaquinha, Dona Maria Antônia, Seu João, Dona Helena, Maria da Lavagem, Seu Hilário, Seu Redondo, Seu Clemides, Laudelino, Neide Roberto, Tia Nilza, Joel da Páscoa, Seu João Félix, Seu Cardoso, Geraldo Cardoso, Dona Geralda, Zé Rosa, Paulo Silva, Dona Petiche, Maria do Rosário, Tia Lilia, Antônio Leite, Pirraça, Joel, Tobias, Dona Sãozinha, Dona Nini, Maria de Seu Armindo, Seu Armindo, Luizinho Vieira, Duca Noé, Dilcim,… Loucos, normais e santos.

E tudo permanece na incógnita nesta terra de um francês e de um luxemburguês. Na luta de gatos e ratos. Na falta de presenças… De tradição, de arte, cultura, música, do palco, da tela… Tudo mudou e ninguém sabe de nada. O mundo agora é outro. E que se valha o mundo!…

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