Audiência Pública: Falta de qualificação é apontada como uma das causas de desemprego

Na tarde dessa terça-feira, 6, foi realizada na Câmara Municipal audiência pública para discutir sobre as causas, consequências e perspectivas do desemprego em João Monlevade. A audiência foi solicitada pelo vereador Belmar Diniz (PT). O evento contou com a participação dos vereadores Cláudio Cebolinha, Lelê do Fraga (ambos do PTB), Thiago Titó (PDT), Leles Pontes (PRB), Pastor Carlinhos (PMDB) e Gentil Bicalho (PT); da secretária municipal de Planejamento, Elisângela Almeida; do assessor Eduardo Bastos; do presidente da Associação Comercial e Industrial de Monlevade (Acimon), Carlos Arthuso; do gerente da entidade, Iarlei Quintão; do gerente de Recursos Humanos da ArcelorMittal Monlevade, João Carlos de Oliveira Guimarães; da gerente do Centro de Apoio ao Trabalhador do Sistema Nacional de Emprego (CAT/Sine), Maria Goretti Silva Navarro; de representantes de empresas e entidades locais e alunos da Faculdade Doctum.

Primeiramente, a gerente do CAT/Sine apresentou os dados relativos ao atendimento realizado pelo setor este ano. De acordo com Goretti, no período de 01 de janeiro a 31 de maio de 2017, 7.838 pessoas foram atendidas pelo CAT. Desse total, 2.557 pessoas foram encaminhadas a vagas de trabalho, sendo que apenas 321 foram inseridas no mercado. “Este ano, conseguimos captar apenas 434 vagas. Percebemos que o que falta é qualificação dos profissionais. Muitas vezes, ficamos com vagas em aberto por um longo período devido à falta de profissional qualificado para preenchê-la”, explicou.

Goretti disse, ainda, que nesse cenário de crise as empresas têm exigido profissionais multifuncionais, ou seja, que desempenham mais de uma função. “Antes, as empresas solicitavam um supervisor de obras e um motorista, por exemplo. Hoje, elas querem um supervisor de obras que tenha carteira de habilitação para fazer as duas funções, mas recebendo apenas por delas”, comentou.

Para a gerente do CAT/Sine, uma solução para melhorar o cenário no município seria que o poder público, juntamente com entidades locais, viabilizasse a realização de cursos de aperfeiçoamento gratuitos aos profissionais que estão fora do mercado de trabalho.

Já o presidente da Acimon, Carlos Arthuso, apresentou algumas ações para alavancar o desenvolvimento de Monlevade pela perspectiva da associação. Segundo o empresário, seria importante a criação da Secretaria de Indústria e Comércio no município a fim de fomentar o setor criando novas oportunidades. Além disso, Carlos Arthuso ressaltou a importância de a Prefeitura Municipal investir na infraestrutura do Distrito Industrial. “O local não tem estrutura adequada para receber novas empresas. É necessário que a Administração faça investimentos no Distrito como pavimentação, melhoria da iluminação e construção de galerias de rede pluvial”, apontou.

Além disso, o empresário reforçou a importância de se reestruturar a Incubadora de Empresas, localizada no bairro Baú. “Precisamos criar condições para que empresas de pequeno e médio porte consigam se desenvolver por si sós. Hoje, a Incubadora tornou-se um local para cessão de espaço”, declarou. Com o objetivo de recuperar a Incubadora, a Acimon está fomentando uma parceria com o Sebrae, Prefeitura e Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). De acordo com Carlos Arthuso, a proposta é incubar as empresas por um tempo determinado e capacitá-las para se firmarem no mercado de trabalho.

O gerente de Recursos Humanos da Usina, João Carlos Guimarães, também falou sobre o desemprego em Monlevade. Segundo ele, o nível de candidatos a vagas de emprego na empresa está em declínio. “Existe, sim, mão de obra qualificada na cidade. O que falta é experiência. Apesar de conseguirmos profissionais qualificados, a maioria não tem experiência na área para a qual se candidatou. Assim, precisamos, muitas vezes, recorrer a candidatos de outros municípios”, explicou.

Outro ponto destacado por João Carlos está atrelado ao fato da crise que assola o país e também o município ser um fator que impede que a ArcelorMittal invista mais em Monlevade. “Em momento nenhum, desde o início da crise, abandonamos o projeto de expansão da unidade. A gente sabe que essa crise vai passar, que voltaremos à normalidade, mas não sabemos quando isso vai acontecer. É preciso que Monlevade se readéque à atual realidade econômica para aproveitar as mínimas oportunidades que possam surgir”, concluiu.

Ao fim da audiência, ficou definido que o vereador Belmar Diniz, autor do encontro, juntamente com os demais vereadores, elaborem um documento com as sugestões apresentadas durante a audiência a fim de avaliar quais medidas seriam viáveis colocar em prática a curto prazo para melhorar o panorama do desemprego no município.

Audiência Pública na Câmara discutiu o desemprego

O chefe do DRI da ArcelorMittal, João Carlos, também participou do debate

(Fotos: Maria Tereza – ACOM/CMJM)

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