5 de Julho!

Era uma sexta-feira. Pouco menos gelada do que esta quarta-feira, mas também bem fria. Dia 5 de julho de 2013. Exatamente o dia em que eu resolvi deixar minha terra-natal e passar uma pequena temporada fora dela. Para meus filhos, Ícaro e Arthur, uma grande surpresa. – “Pai deixando João Monlevade. Um lugar que ele tanto ama”! Disseram. E também minha esposa, Carla, não entendeu muito bem aquela minha atitude um tanto radical. Mas respeitou. E também seria por pouco tempo, 4 ou 5 meses no máximo. Apenas o tempo para terminar de escrever minha história, o Livro “A Saga: Memórias de um Jornalista do Interior”, quando fazia um relato de meus 30 anos atuando como jornalista e a história da imprensa em João Monlevade durante essas três décadas. Assim que estivesse no forno, eu regressaria à minha terra-natal. Consegui alugar uma casa de “Porteira Fechada”, trazendo apenas alguns móveis – como o meu Escritório – meu PC, meu 3 X 1 para tocar meus vinis e minha TV. E cá cheguei, cuja mudança veio sobre uma “Carretinha” puxada pela camionete do meu amigo e ex-concunhado Adelmo Padilha, direto do Bairro Belmonte, em Monlevade, para Lavras Novas, distrito de Ouro Preto. Cheguei no início da tarde daquele sexta-feira, 5 de julho de 2013!

E, mesmo com meu jeito despojado e extrovertido, confesso que não foi fácil deparar com todas aquelas pessoas desconhecidas e um lugar estranho. Conhecia Lavras Novas como turista, desde 2003. Mas para morar, mesmo que fosse por pouco tempo, já era uma grande distância. À noite o frio veio pra valer. Pegou mesmo! Mas resolvi dar uma saída e tomar uma no “Bar do Claudinho”, a quem conhecia o ponto e seu dono. Cara simpático, sempre sorridente. E ponto dos nativos. Ainda meio acanhado, em uma mesa do canto, apenas observando a tudo e a todos. Chegando em casa foi duro ter de encarar um banho. Lembro-me que batia o queixo sob as cobertas naquela cama estranha e onde eu passaria minha primeira noite. Só e solitário. Sozinho e em meio à dúvida, à incerteza se tinha tomando a decisão acertada. Longe de minha casa, de meu solo, de minha amada, de meus filhos, de minha família e dos meus amigos. Longe do meu Habitat. Adormeci e acordei no sábado. E porque aquele dia era sábado, uma vida nova à frente. Vamos encará-la!

Teclado às mãos e monitor à frente. Vamos trabalhar porque o Livro tinha de sair. E ali começava a terminar a minha Saga, o meu Projeto Literário. Mas a minha vida em Lavras Novas estaria só começando. Vim para ficar 4 ou 5 meses. Mas, numa manhã de outro sábado, desço uma rua e paro em uma bica, de água nascente de mina. Conhecida como “Fonte Grande”. E ali bebi daquela água cristalina, pura e fria. Horas depois dou uma parada em frente à casa do Sr. Antônio Marins, popular “Chicletes”, sanfoneiro do lugar. Nas manhãs de sábado e domingo ele costuma se assentar em sua Varanda e, de posse da sanfona, tocar maravilhas com seu instrumento. E ali parei e tiramos um dedo de prosa. Quando disse que havia bebido da água daquela mina, ele retrucou: – “Marcelo, quem bebe da água da Fonte Grande não sai mais de Lavras Novas. Viu”? E abriu aquele sorriso, como quem dizia: – vai ficar por aqui agora (rs). E parece não ter dado outra. Hoje, 4 anos de Lavras Novas.

E aqui estou, mesmo que a solidão às vezes bata e me machuque e a saudade corte como aço de “navaia”, feliz. Mesmo porque me renovei neste lugar de pouco mais de 1.300 habitantes e que se enche de turistas nos finais de semana. De uma cultura rica e de um povo ímpar. Simples, mas sábio. E aqui me encontrei promovendo eventos, fazendo o que sempre gostei, de agregar pessoas e juntar as diversas culturas. Fazer arte pela Gastronomia, pela Música, pela manutenção das raízes. Saí de meu Habitat para aprender novos movimentos, conhecer novas pessoas, fazer novos amigos e me encontrar mais em Deus, no Criador. Sai de João Monlevade porque era meu destino; tinha de acontecer para subir mais montanhas e conhecer mais as Geraes. Para continuar sendo este eterno aprendiz! Amém!

No mais, como diz aquela Música do Milton e do Brant, “Encontros e Despedidas”, sou um privilegiado. Afinal, “me dê um abraço, venha me apertar. Tô chegando. Coisa que gosto é poder partir sem ter planos; melhor ainda é poder voltar quando eu quero”…

 

A Pedra na entrada da Serrinha: Um símbolo para quem chega ou sai de Lavras Novas (Foto: Marcelo Melo, exposta durante a “I Exposição de Fotografias que o distrito já teve, realizada em dezembro de 2014))

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